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 Técnicas de roteirismo- narrativa

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leduardo
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Mensagens : 15
Data de inscrição : 19/05/2013

MensagemAssunto: Técnicas de roteirismo- narrativa   Qua 5 Jun - 22:17

Olá, nessa segunda parte da série de tutoriais decidi falar sobre a estrutura narrativa e as técnicas usadas por ele. No último falei sobre a função do roteiro e da necessidade de ter duas forças antagonistas e/ou a evolução de uma personagem, agora irei falar sobre a narrativa que se cria com isso e a sua estrutura, a chamada "curva narrativa".

Talvez o melhor objeto para se comparar a uma curva narrativa seja uma redação dissertativa com os quatro parágrafos: um de introdução, dois de desenvolvimento e um de conclusão. O seu roteiro, assim como a redação, irá introduzir as personagens e situações, desenvolvê-los e, por fim, concluir, e os momentos de transição entre eles são comumente chamados (graças a Syd Field) de pontos de virada. Temos, por fim, um roteiro com três atos dois pontos de virada (o que leva da introdução para o desenvolvimento e o do desenvolvimento para a conclusão).

INTRODUÇÃO/ P. DE VIRADA I/ DESENVOLVIMENTO/ P. DE VIRADA II/ CONCLUSÃO; num esquema simples.


Esse esquema (ou representação gráfica consciente) foi desenvolvido por Syd Field, assim como grande parte desse tutorial que você lê tem grande parte de suas ideias, mas ele apenas trouxe essa compreensão para "níveis acadêmicos", as narrativas não eram bagunças anárquicas antes de "Roteiro - Os Fundamentos do Roteirismo" do mesmo jeito que maçãs não flutuavam antes de Isaac Newton escrever sobre gravidade. Os três atos distintos são notados desde a época da Ilíada e Odisseia; a segunda narrativa (a qual está mais fresca em minha memória) está claramente composta num primeiro ato, que narra o fim da Guerra de Troia e preparação para a saída de Odisseu e seus homens para Ítaca, um segundo que narra as desventuras e incidentes no caminho e, por fim, o terceiro ato, que narra a retomada de Odisseu ao trono; e cada ato tem a sua própria introdução e clímax.

Num atento, vale-se entender que essa questão é quanto ao tempo narrativo (o tempo real, não o diegético, dentro da narrativa), logo, mesmo nos roteiros com quebra da ordem narrativa, esses três atos e dois pontos existirão. Muito se fala sobre isso ser um padronização excessiva de roteiros, a qual, apesar de ter a necessidade de ainda tomar cuidado, digo que não. Mas não queira criar a história a partir disso, a produção criativa em fase bruta não pode ser ensinada (nem por mim nem pelo Syd Field), o que você deve, e isso eu e o FIeld podemos ensinar, é saber identificar os elementos do seu roteiro e poder melhorá-los.



Homem-aranha (de 2002, do Sam Raimi) continua sendo, para mim, um dos melhores filmes-pipoca e que mostram de maneira inventiva esses elementos narrativos que estou falando aqui. O filme é dividido em três atos claros: o primeiro, que mostra a vida de Peter Park e apresenta as outras personagens principais e conflitos (relação com os tios, situação com Mary Jane, adquirição dos poderes, falta de dinheiro e o desenvolvimento do vilão, Duende Verde), até o primeiro ponto de virada, perto dos trinta minutos de filme, com a morte do tio Ben; após isso temos o desenvolvimento, onde os conflitos apresentados ganham força, com os atos de terrorismo do duende verde e o beijo de cabeça para baixo; e o último ato, aquele que traz o conflito final, começa com o sequestro de Mary Jane, com a longa sequência das crianças e da Mary Jane na ponte, onde todos os conflitos apresentados no primeiro ato são solucionados e as personagens tem o seu arco dramático finalizado. E assim se constrói um roteiro ágil para um filme divertido.

O entendimento das funções narrativas é o ponto mais importante, ao menos sempre acreditei, isso possibilita algumas fugas parciais a esse esquema sem comprometer. Num exemplo básico, teria aqui Pulp Fiction (1994), Um Corpo que Cai (1958) e King Kong (1933, 1976, 2005), os três roteiros tratam de segmentos bem claros, como em Um Corpo que Cai, onde temos dois filmes distintos em um único filme. Para destrinchar um pouco, escolhi o King Kong de Peter Jackson, remake do filme de 1933 (só que com 110 minutos a mais), os três atos dele- viagem, ilha, cidade- são bem marcados e, apesar de até poderem ser compreendidos como os três atos típicos de um roteiro, acabam por ser independentes entre si e por quebrar parte da lógica dessa estrutura (o roteiro de King Kong tem os três atos com duração parecida, diferente do comum do segundo ato ser o maior e de não aparecer a personagem título nele); atentando a apenas ao primeiro ato, ele está claramente dividido numa primeira parte, que apresenta as personagens e termina com a entrada no navio, um segundo que apresenta a convivência no navio e termina com o anúncio de mudança na rota para voltar para Nova York e um terceiro, que é o processo de chegada a Ilha da Caveira.



Claro, a diferença das situações onde os roteiros estão inseridos deve ser atentada. O exemplo de Homem-aranha é de um filme com 121 minutos e o de King Kong é de um filme com 200 minutos, nas publicações da revista o tempo é mais curto e também há alguns em formato de série, onde o final pode não ser uma conclusão, mas, sim, um ponto de virada ou, melhor, um cliffhanger- ponto "beira do precipício", quando o roteiro termina numa situação apreensiva com necessidade de continuação.

TÉCNICAS NARRATIVAS
Decidi dedicar parte desse post apenas para algumas técnicas narrativas- técnicas narrativas, recursos narrativas (plot device), nada mais são do que caminhos comuns usados por roteiro. Já falei do cliffhanger, então irei deixar aqui apenas para alguns outros que eu acho os mais interessantes (pesquise para saber mais, há uma quantidade bem grande de técnicas:

Macguffin: é o conhecido recurso do Alfred Hithcock, "um motivo", por assim dizer. Um MacGuffin bem utilizado pode ajudar a encobrir algum segredo. Macguffins nada mais são do que acontecimentos que levam o protagonista a seguir trama, mas que não tem função real nela; como o assassinato de Rodrigo Branco em Max Payne 3, onde o crime apenas serviu para por Max nas ruas de São paulo; o caderno de anotações no início de Hugo Cabret; um bem interessante é o do Ripper no primeiro jogo da trilogia Mass Effect, onde usam um MacGuffin (Saren e o assassinato) para esconder outro recurso narrativo, um anagnorisis (vou falar logo em baixo);

Anagnorisis: uma "revelação", quando a natureza de algo muda. O Ripper de Mass Effect começa como uma nave poderosa utilizada por Saren e termina por se mostrar um ser consciente que controla Saren. Outros exemplos clássicos de anagnorisis é a cena "Luke, i am your father" em O Império Contra-ataca, a revelação final de O Sexto Sentido, a estátua da liberdade em Planeta dos Macacos e a descoberta da matrix por Neo em Matrix (nesse filme o anagnorisis também tem a função de primeiro ponto de virada). Numa recomendação pessoal, o sucesso do anagnorisis está em não fazer o público saber que há algum segredo, o público não precisa desconfiar que há algo escondido (claro, Matrix é uma exceção quanto a isso, já que o anagnorisis dele era o plot principal do filme, assim como o guarda roupa em "Crônicas de Nárnia").

In media res: literalmente "no meio das coisas". A técnica se utiliza em lançar o público para o meio da ação sem um desenvolvimento, aproveitando da desorientação dele para surgir a curiosidade. O início de Os Mortos Vivos é um exemplo perfeito duma aplicação bem-sucedida de um; iniciamos a leitura tão perdidos quanto Rick Grimes e, aos poucos, vamos recebendo as informações que precisamos; outro exemplo de in media res bem utilizado é Cães de Aluguel (de Quentin Tarantino), onde o tempo pula dos créditos iniciais para um carro em fuga com um homem baleado no banco de traz, onde a história vai avançando enquanto explica o que houve no hiato entre os créditos iniciais e a cena do carro em fuga (até, num dos flashbacks, mostrar o que levou a situação).



Deus ex machina: vindo do teatro grego, é uma "solução mágica" para os conflitos, quando uma força superior a representada na situação até o momento intervém. Num exemplo claro, sempre que Gandalf aparece em O Hobbit ou O Senhor dos Anéis e soluciona uma batalha, Gandalf é a força maior que aparece como solução derradeira. É um recurso polêmico, muitos consideram ele como uma falha narrativa, mas pode ser bem utilizado.

Arma de Chekhov: vem de um dito do Chekhov que dá título ao recurso, "se um rifle carregado é posto no palco no primeiro ato, esperasse que ele seja disparado em algum momento no terceiro". Logo, a arma de Chekhov nada mais é que um objeto que é apresentado na introdução e esperasse que ele seja ativado no terceiro ato, seja para criar ou para solucionar problemas. A asma do garoto em Sinais, que é "ativada" como mais um problema no ato final do filme é um bom exemplo, mas, para esse, acho que nada é melhor que o genial roteiro de De Volta Para o Futuro. Se a asma do jovem garoto é uma arma de Chekhov, poderíamos chamar o roteiro de De Volta Para o Futuro de "metralhadora de Chekhov". Os elementos que compõe a narrativa são jogados ao público nos primeiros vinte minutos e depois acionados durante a peregrinação de Marty para 1985. A cena da conversa entre Marty e Jennifer é o maior exemplo disso, onde vários elementos necessários para a trama (relógio, raio, 10:04h, tocar guitarra, medo de fracassar, acampamento, Toyota) são jogados ao público para que, quando fosse necessário, fossem acionados.

Há várias outras técnicas, mas essas são as que eu achei mais importante de serem faladas num tutorial básico. Para o próximo tutorial eu irei falar de personagem e de como tratar ele durante o roteiro.
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Câncer Macaco
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MensagemAssunto: Re: Técnicas de roteirismo- narrativa   Qui 6 Jun - 16:45

Noossa, realmente essas técnicas são usadas. Eu usava e nem sabia kkk
Identifico meus roteiros com Macguffin e Arma de chekhov... agora irei ficar mais atento, assim vou saber a melhor hora de usar.
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Djalma Marquesani
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Câncer Macaco
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MensagemAssunto: Re: Técnicas de roteirismo- narrativa   Qui 6 Jun - 16:58

realmente está de parabéns este tutorial...tudo que é para aumentar o nosso conhecimento e melhoria das criações é sempre bem vinda!
Obrigado por postar.
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MensagemAssunto: Re: Técnicas de roteirismo- narrativa   

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Técnicas de roteirismo- narrativa
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